Terrestre 09/28/2026 (Mon) 22:29 No.12020 del
>Seja eu, 17 anos, finalmente descolando meu primeiro trampo de jovem >aprendiz numa startup de tech.
>Entrevista marcada pra hoje, 8h da manhã.
>Boto três alarmes no celular pra não ter erro e durmo.
Acordo hoje com uma sensação bizarra, olho pro relógio da parede e já são 7h45. Mano, eu entrei em desespero. Quando olho pro lado pra pegar o celular, o bagulho tá completamente submerso dentro do copo de água da cabeceira. Do lado, meu gato de 10kg me encarando com a maior cara de psicopata do mundo. O bicho simplesmente afogou meu despertador. Eu quase coringuei ali mesmo.
Saí atropelando tudo. Vesti a primeira camisa social que vi (detalhe: faltavam dois botões no meio) e fui voando pra cozinha tomar um café pra acordar. Na pressa cega, peguei uma lata de metal no armário, joguei três colheres na xícara, joguei água quente e dei um gole de uma vez só.
Velho, não era café. Era a lata de atum em conserva do gato.
Cuspi óleo de peixe pela cozinha inteira, tossindo e chorando. Pra piorar, minha calça tava molhada no varal. Sem tempo, enfiei uma calça de moletom cinza largada no chão, calcei um sapato do meu pai no pé direito, não achei o esquerdo e fui de chinelo de dedinho mesmo.
Chego na recepção da empresa às 8h02.
Suado, camisa aberta, moletom, um pé com sapato e outro com chinelo, exalando um leve aroma de peixaria. Mó vibe de chernobyl.
Fui chamado pra sala do diretor. Tentei meter o louco, manter a postura, estendi a mão e mandei um: "Bom dia, desculpe o atraso, tive um imprevisto doméstico com tecnologia."
O cara olhou pra minha mão, pro meu peito exposto, pro moletom e parou o olho no combo sapato-chinelo. Ficou um silêncio constrangedor por uns dez segundos. Eu já tava quase aceitando a derrota e saindo da sala, quando o diretor limpou a garganta e falou:
"Sabe... a gente curte inovação aqui. Mas você poderia me explicar por que tem uma cabeça de gato saindo da sua mochila?"
Olhei para trás devagar. O zíper da minha mochila tava aberto em cima da cadeira. O desgraçado do meu gato de alguma forma entrou ali dentro antes de eu sair de casa e eu viajei a cidade inteira sem notar. Ele tava só com a cabeça pra fora, me julgando.
No fim das contas, o diretor achou a situação tão absurdamente caótica que começou a rir. Disse que se eu conseguia manter a compostura naquilo ali, aguentava o tranco da empresa. Fui contratado.
Ainda tô sem acreditar, sem saber se comemoro o emprego ou se durmo trancado no quarto com medo do meu próprio gato.